“If you don’t know it’s impossible, it’s easier to do.”

Neil Gaiman deu há umas semanas na cerimónia de formatura da University of Arts um dos commencement speeches mais inspiradores dos últimos anos. O autor conhecido por obras como The Sandman e Coraline focou o seu discurso muito no valor da ignorância dizendo uma frase que me vai ficar na memória por muito tempo: “If you don’t know it’s impossible, it’s easier to do.”  Isto é material tipicamente HELL YEAH!  Vejam o video e comentem. 

Podem encontrar o discurso também em versão de texto 

Um video Hell Yeah de Henry Rollins

Henry Rollins diz à malta jovem para evitar ressentimentos. Para alcançar sucesso só há uma fórmula: Há que ter uma “Obsessão Monástica” naquilo que queremos alcançar. Isto é material tipicamente Hell Yeah! Se és da geração à (desen)rasca como eu, pára de ir para MANIFS protestar, passa a inspirar-te neste tipo de cenas e mãos à obra a lutar pelos teus sonhos! 

O 25 de Abril e a liberdade que hoje temos para sermos CEO’s de nós próprios

Há poucos dias comemorou-se em Portugal mais um aniversário do 25 de Abril, o nosso dia da liberdade. Num ano marcado por taxas de desemprego históricas e por um Estado que está amarrado a uma Programa de assistência financeira externo, ouviu-se muita gente questionar o tipo de liberdade que temos. A revista Visão até lançou uma edição com uma capa que questionava se não precisaríamos de um novo 25 de Abril. A minha resposta é um redondo NÃO!

Sim, a situação do nosso Portugal não é a melhor, mas aquilo que a maioria das pessoas saudosistas de um novo 25 de Abril falham em perceber é que temos hoje em 2011 mais liberdade e oportunidades do que nunca! Precisamos é de deixar de olhar para o óbvio e para as soluções do passado. Esqueçam o Governo e a Troika. A questão aqui não é política. A questão é de mentalidade e de atitude. Se observarmos a realidade que está à nossa volta há uma série de novas oportunidades que estão à nossa frente à espera de alguém que as agarre. Como disse o Miguel Gonçalves brilhantemente há uns dias no TEDx O’Porto ”“O mundo é igual para toda a gente. Uns choram, os outros vendem lenços”. Preferes chorar ou vender lenços?

Muita gente infelizmente parece não ter ainda percebido que estamos a atravessar um período da maior mudança cultural da história da Humanidade, e a Internet é a ferramenta responsável por isso. Senão vejamos. Nunca foi tão fácil para qualquer pessoa fazer um video e espalhar uma ideia junto de outras pessoas que pensam da mesma maneira. Vivemos uma era dourada da conectividade onde cada vez mais os amadores têm impacto nos standards profissionais- isto dizer que qualquer amador sem que esteja oficialmente ligado a uma qualquer corporação pode publicar, criar e conectar-se com o resto do Mundo.

Imagina o seguinte. Se tu fores um designer ou um criativo e estiveres sem emprego ou se fores um freelancer e não estiveres a conseguir arranjar trabalho em Portugal, tens o teu destino nas tuas mãos. Já não é preciso estarmos agarrados à ideia do emprego estável das 9 às 17. Em 2012 podes ser CEO de ti próprio porque tens um Mundo inteiro à tua disposição em poucos cliques. Não é preciso emigrar. É preciso é pensar para lá do óbvio, agarrar oportunidades e trabalhar no duro. Por exemplo podes registar-te num site como o Crowdspring, uma plataforma de crowdsourcing para designers e copywriters onde tens acesso a briefings de empresas e onde qualquer pessoa pode submeter as suas ideias a esses briefings e ser pago por isso caso a sua ideia seja seleccionada. Ou tens também o Idea Bounty , uma plataforma de crowdsourcing de ideias criativas onde qualquer pessoa pode submeter a sua ideia criativa aos briefings disponíveis em troca de um prémio monetário caso a sua ideia vença. Ou se estiveres numa de fazer tarefas para ganhar uns euros tens o Zaask, uma ideia made in Portugal. Já não é preciso ir trabalhar para um Call Center mesmo que se tenha a necessidade de ganhar dinheiro para pagar as contas. Há hoje outras alternativas disponíveis.

Se tiveres uma ideia para lançar um projecto mas não tens financiamento tens plataformas de crowdfunding para todos os gostos, onde pessoas comuns podem financiar o teu projecto a troco de recompensas definidas por ti. Plataformas de crowdfunding há aos pontapés, desde as mais conhecidas nos EUA como o Kickstarter e Indiegogo, a plataformas europeias como o Verkami (espanhol) ou o Ulule (francês). Até Portugal já tem 3 plataformas de crowdfunding: PPL Portugal, Massivemov e Dreamtbyme

Olhe-se também por exemplo para a indústria de música. O poder de fazer acontecer eventos sempre esteve nas mãos de empresas promotoras de eventos. Mas hoje com a revolução tecnológica e cultural que estamos a atravessar faz todo o sentido retirar os intermediários do sistema passando o poder para o lado dos fãs. Eu e os meus amigos Nuno Valinhas e Ricardo Faria apercebemo-nos disso mesmo e criámos a Gruv Lisbon, um movimento de Fanfunding entre amantes de música electrónica para trazer a Lisboa os DJs que nos inspiram. Na Gruv Lisbon quem manda são os fãs, pois os eventos só acontecem se eles realmente gostarem dos artistas e quiserem entrar no espírito colaborativo da coisa. Antes de criarmos a Gruv nunca na vida tínhamos organizado eventos de música electrónica, nem nunca tínhamos lidado com Managers de DJs. Mas o facto de vivermos nesta era da conectividade deu-nos a oportunidade de criar este movimento. Há 10 anos atrás isto seria impossível, pois logo para começar jamais conseguiríamos entrar em contacto de modo fácil com artistas de música. 

Com a Gruv Lisbon criámos algo à volta de algo que nos apaixona, mas qualquer um de vocês pode fazer o mesmo com as suas paixões.  A Geração que nos libertou da ditatura não viveu esta liberdade que temos. A liberdade de seguirmos caminhos alternativos e de sermos CEOs de nós próprios.

O que significa mudar o mundo

Mudar o mundo é daqueles clichés que imensa gente gosta de usar. Eu próprio por vezes uso-o. No entanto, apesar de ser um cliché eu acredito que é dos clichés mais mal interpretados de sempre. Porquê? Porque a maioria das pessoas que o usa, usa-o nos termos errados. Muitas vezes quando ouvimos malta a dizer que sonha em mudar o Mundo, ouvimo-los com ideias megalómanas, daquelas só ao alcance dos verdadeiros génios. Nada mais errado. Para mudar o mundo não é preciso ganharmos o Prémio Nobel da Medicina ou da Paz. 

O genial Miguel Gonçalves da Spark Agency numa entrevista muito gira publicada há uns dias no Jornal de Notícias disse algo que acaba de certa forma por desmistificar esta ideia errada que existe sobre mudar o mundo. Segundo o Miguel “Somos a geração que tem nas mãos o poder para mudar o mundo. Há novamente navegadores em Portugal: não são alimentados por ter muito dinheiro, mas por fazer a diferença; não querem ter um carro comprido, mas fazer coisas que ajudem os outros, não querem comprar uma casa grande onde estão sempre tristes, mas trabalhar 14 horas num sítio mágico onde sentem o coração a bater.”  Mudar o mundo é isto. É fazermos mais do que aquilo que o status quo (o Governo, a família, os amigos, os vizinhos, o periquito) esperam de nós. Bem diferente não é?

É possível encontrar trabalho sem realmente procurar?

É possível encontrar trabalho sem realmente procurar? David Crandall acha que sim! Segundo David o único lugar onde precisamos realmente de procurar é dentro de nós próprios. Será que David está certo? 

O que normalmente acontece é que nós tendemos a tomar decisões sobre as nossas carreiras baseando-nos numa imagem desfocada sobre quem nós somos; sobre o que nós “devemos” querer; sobre quem nós gostaríamos que fossemos; sobre o que é que vai impressionar os outros (cenas tipo títulos de trabalho, status, salário, carro de empresa); sobre quem prometemos a nós próprios que vamos ser se aceitarmos este trabalho; sobre quem nós temos medo de ser. 

David cita uma frase brilhante de Judy Garland que diz o seguinte: “Always be a first version of YOURSElf and not a second rate version of someone else.” Quando somos uma versão de segunda linha de outra pessoa tendemos a fazer escolhas que normalmente nunca tomaríamos, tendemos a não ser nós próprios, e queimamos estupidamente os nossos talentos e criatividade. Pior ainda, tendemos a olhar para os os outros à espera da sua aprovação e inevitávelmente acabamos por baixar as nossas expectativas e limitar as nossas opções. Será que isto faz algum sentido? Como é que fugimos deste caminho que tanta gente infelizmente parece seguir? Só há uma maneira. Temos de descobrir quem realmente somos (não o que os outros querem que sejamos, f#ck them!) e o que nos move (o que nos faz realmente dizer Hell Yeah!). Porque só sabendo o que nos move é que conseguimos descobrir realmente o que queremos, e só sabendo o que queremos é que podemos realmente (batalhar para) ter aquilo com o qual sonhamos. No fundo é isto que David Crandall defende quando diz que é possível encontrarmos trabalho sem realmente procurarmos.

Do que é que estás à espera para começar esse caminho? Se tens ainda dúvidas lê a mais recente apresentação de David Crandall que fala exactamente sobre este caminho de encontrar trabalho sem realmente procurar. 

Chega de trabalhadores TGIF

Hoje vou mandar um bitaite que já publicamente partilhei (de modo mais resumido) há umas semanas quando fui falar ao Ignite Portugal.

Gosto de olhar para o Mundo para lá do óbvio. Ultimamente quase todos os dias somos bombardeados com os números mais recentes de desemprego, taxa que já vai acima dos 14%. O óbvio tende a concentrar-se neste número. No entanto eu prefiro olhar para os 86% de pessoas com emprego. Acho que seria bem mais interessante tentarmos perceber qual a percentagem de trabalhadores activos em Portugal genuinamente felizes e motivados nos seus empregos. 

Um dos maiores problemas de Portugal é um facto que estamos todos fartos de ouvir: o país é pouco produtivo. Consumimos mais recursos do que a riqueza que geramos, mas pouca gente parece estar interessada em analisar porque é que temos uma economia fraca e pouco produtiva. Ou melhor, análises até há, mas tendem a estar demasiado focadas em coisas como custos de contexto da nossa economia, impostos e burocracia. Claro que tudo isto pouco ajuda, mas creio que há algo bem mais profundo que pouca gente aborda.

Eu tenho uma teoria para isto. Cá vai a bomba: Portugal tem demasiados trabalhadores Thank God It’s Friday (TGIF). O trabalhador TGIF passa a semana a bufar e a rezar que chegue Sexta-Feira para poder ir para casa descansar e aproveitar o fim-de-semana fazendo coisas que realmente gosta de fazer. Para o típico trabalhador TGIF o seu emprego é uma seca que só serve para pagar contas. Poucos trabalham porque gostam realmente do que fazem, mas antes pelo salário que recebem. Alguns até gostam do que fazem, mas limitam-se a seguir as ordens do chefe e sentem-se frustados com a falta de autonomia que lhes é dada para fazerem mais do que meramente seguir ordens. ”o Chefe não deixa fazer mais” é a típica resposta para a falta de iniciativa. O que a maioria destas pessoas infelizmente falha em perceber é que este tipo de forma de estar na vida torna-as na prática em automátos pensantes que se limitam a seguir o que está no mapa porque foi isso que a sociedade lhes ensinou a fazer.

Mas estas pessoas até nem têm culpa. Vejo-as como vitimas de um sistema em que o status quo lhes convenceu durante décadas que é assim que devemos viver. Muito boa gente entrou neste sistema porque foi convencida de que o emprego deve ser algo que deve primeiro servir para sobreviver. Afinal quantos de nós não ouvimos já os nossos pais, tios ou avós a dizer coisas do tipo: “Isso de trabalhar no que nos apaixona é só para quem pode. No meu tempo trabalhava-se no que se arranjava e era para sobreviver” ?!

A realidade é esta. Vivemos num sistema inspirado num modelo de fábrica em que os donos das fábricas adoram autómatos pensantes, trabalhadores TGIF obedientes e com baixos salários a operarem as suas máquinas eficientes. Este sistema morreu, é por isso que estamos em crise e precisamos de uma revolução de mentalidades! 

Agora imaginem que vivíamos num país onde nos tais 86% da população activa que tem emprego a maioria vai todos os dias trabalhar em coisas que realmente gostam? Como seria o futuro desse Portugal? Imaginem que vivíamos num país onde os tais 86% da população activa que tem emprego trabalhava em empresas que criam uma cultura interna que inspire as pessoas a irem para o trabalho? Como seria o futuro desse Portugal? Imaginem um país onde a maioria das empresas apenas contrata pessoas que acreditam na sua visão de longo prazo e que queiram ser parte da sua cultura em vez de só pelo salário?

Esse país talvez fosse um Portugal com mais pessoas a trabalharem em coisas que realmente gostam e em empresas onde realmente se sentissem motivadas a trabalhar melhor nestes tempos de crise, o que melhoraria a produtividade das empresas, e faria com que mais pessoas voltassem para casa todos os dias felizes e com vontade de ir trabalhar no dia seguinte para ajudar as suas empresas a enfrentar esta crise.

Pessoas mais felizes + empresas mais felizes e produtivas =  PIB a aumentar + emprego a aumentar no médio-prazo. Conseguem imaginar o que seria esse Portugal?

A nova maneira de trabalhar segundo Charlie Hoehn

Charlie Hoehn tem apenas 25 anos e tem uma história de vida surpreendente que devia servir de exemplo do tipo mentalidade que infelizmente a minha Geração (que se diz à rasca) não tem, mas devia ter.

Charlie já trabalhou para o lendário Seth Godin, ajudou Tim Ferris a escrever e a tornar o seu “The Four Hour Body” num #1 New York Times Bestseller, e escreveu um e-book chamado Recession-Proof Graduate que já teve mais de 100.000 visitas e é um dos Slideshares mais populares na área de “career”. Nesta excelente TEDx Talk, Charlie partilha as desilusões dos recém-licenciados quando entram para o mundo real do mercado de trabalho, e dá-nos dicas fora da caixa sobre como podemos realmente fazer a diferença num mercado tão difícil. Isto é material Hell Yeah! Não deixes de ver! 

A lição sobre falhanço que aprendi ontem no Ignite Portugal

Ontem fui ao Ignite Portugal tentar iniciar uma revolução. Uma revolução no modo como pensamos e nos comportamos. A mensagem que pretendia passar era a de um Mundo com o qual sonho, um Mundo Hell Yeah onde as pessoas deixem de ter medo de falhar e se sintam inspiradas a revolucionar as suas vidas focando-se em coisas que lhes façam dizer entusiasticamente Hell Yeah!

Ironicamente numa talk que era muito orientada para desmistificar falhanços, eu próprio comecei com um falhanço monumental mal comecei a abrir a boca. O Ignite funciona num sistema de talks de 5 minutos, com 20 slides com cada um a passar automaticamente a cada 15 segundos. Falhei porque comecei a talk com um pressuposto errado na minha cabeça. Pensava que o slide inicial como era só a capa da apresentação não estaria ali parado durante 15 segundos. Esse pressuposto errado baralhou-me todo, deixou-me tenso e comecei também a deixar que os meus slides de powerpoint me controlassem o ritmo da apresentação em vez de ser eu a controlá-lo.

Mas a certa altura tudo mudou. Durante breves segundos fez-se um click na minha cabeça. Não sei porquê mas lembrei-me duma frase fantástica que a Amber Rae escreveu no twitter há umas semanas: “Tension is who you think you should be. Relaxation is who you are”. Uns segundos depois dei por mim a começar a ignorar o ritmo dos slides e comecei a falar sobre o que eu queria falar e a falar do coração. Daí para a frente penso que a coisa correu relativamente bem.

Esta foi a grande lição que aprendi ontem como orador no Ignite Portugal. Não há mal nenhum em falhar, mas muitas vezes falhamos porque estamos tensos a tentar ser algo que não somos. Pensa nisto da próxima vez que falhares em alguma coisa.